
Um ano após mudança, times avaliam impacto do VRS
O uso ampliado do Valve Regional Standings (VRS) a partir de 2025 mudou a forma os times se planejam. Há um ano, equipes passaram a priorizar os campeonatos regionais em LAN antes de torneios online e, até mesmo, algumas qualificatórias internacionais.
Nessa nova lógica, torneios em LAN cumprem um papel fundamental que vai muito além de títulos para as equipes desde a implementação do ranking da Valve. Os presenciais têm um enorme peso na corrida pelos pontos quando o comparados com torneios online, já que a quantidade de vitórias em LAN é um dos fatores mais importantes no sistema. Além disso, a premiação, que costuma ser maior nas LANs, influência na corrida por uma vaga no próximo Major.
E não é só jogar por jogar. Os times também precisam se atentar à data de corte para convites de determinados torneios. Um time que está "dentro", ou próximo, ao corte de certo campeonato, precisa levar em consideração que seus próximos resultados podem impactar diretamente na sua permanência na zona de classificação. Por isso, também, muitas das vezes, organizações acabam abdicando de certos torneios.
Além das disputas na LAN, as equipes também precisam levar em consideração o tempo de permanência de um core no time antes de realizar determinadas trocas na escalação. As bases dos times carregam com elas os pontos da equipe no ranking.
Recentemente, a BC.Game, de Oleksandr "s1mple" Kostyliev, contratou o core ex-SAW e saltou diversas posições no ranking graças aos pontos que o trio carregou para o novo time. Em contrapartida, a 9z acabou perdendo seus pontos após a saída de Luca "Luken" Nadotti da equipe. O time havia feito uma mudança há pouco tempo com a chegada de Ignacio "meyern" Meyer e Luciano "luchov" Herrera na equipe. Após a saída de Luken, a 9z anunciou a contratação de Franco "dgt" Garcia e a equipe acabou perdendo sua classificação original no ranking da Valve.
A organização argentina optou por recomeçar a pontuar do zero, mas em pouco tempo, já começou a recuperar parte dos pontos perdidos novamente graças aos resultados da equipe durante o Circuit X Redemption. Francisco "Frankkaster" Postiglione, CEO da 9z, falou em entrevista à Dust 2 Brasil sobre a decisão.
"Era um pouco sobre passar a página e tentar consolidar o novo core, por mais que tenhamos que começar do zero. Acho que é possível, mas se não nos classificarmos não é um problema para mim. A ajuda monetária que o Major dá é importante, mas acho que o trabalho a longo prazo vai render mais frutos."
"Acho que Cologne vai ser muito lendário, então eu gostaria de estar lá, mas também acho que vai ser difícil. Mas a 9z vai fazer tudo que for possível, vamos jogar todos os campeonatos em LAN na Argentina e Brasil, também temos ainda nossa gaming house na Espanha então vamos olhar alguns campeonatos na Suécia e Portugal. Vamos viajar o máximo possível, treinar e tentar fazer o melhor."
A Sharks é uma das equipes que se destaca quando o assunto é o "grind" pelos pontos para o Major. O time de Victor "gafolo" Andrade marca presença na maioria dos campeonatos em LAN que acontecem na região e, também, viajam para o exterior para disputar outros presenciais do Tier-2, na Europa e nos Estados Unidos.
Em 2025, o time disputou campeonatos como a Fragadelphia Blocktober, na Filadélfia, nos Estados Unidos, Roman Imperium Cup III, em Vila Nova de Gaia, em Portugal, e o CBCS Masters Xeque Mate, no Rio de Janeiro, por exemplo. Atualmente, na 37ª posição no ranking da Valve, a Sharks tem como principal objetivo na temporada se firmar entre os times classificados para o primeiro Major do ano.
"Não tem como não falar que o principal objetivo é o Major. Tem essa corrida dos pontos, todo campeonato é uma pressão diferente, então estamos pensando em cada campeonato que vamos participar, estamos dando a vida, somando muitas horas e intensificando os treinos”, afirmou gafolo.
Os brasileiros também destacam a oportunidade de participar de diversos campeonatos presenciais como mais uma forma de se consolidarem e adquirirem mais experiência como time.
“Além da corrida dos pontos, nós somos uma equipe muito nova ainda, então queremos jogar todas as LANs, todos os campeonatos, para adquirir experiência mesmo. Pensamos em cada campeonato como uma experiência diferente para continuarmos crescendo e virar uma equipe cascuda”, o jogador acrescentou.
A Keyd Stars também aproveita ao máximo a oportunidade de participar de LANs no país para subir mais posições no ranking. Lucas "CutzMeretz" Freitas, IGL do time, destacou a oportunidade que muitas equipes agora possuem de participarem de campeonatos presenciais, já que a quantidade de eventos aumentou consideravelmente.
“Com as oportunidades que todos os times estão tendo de jogar mais campeonatos presenciais, graças ao VRS, voltou algo no nosso cenário que é muito importante que são as LANs que estamos o tempo inteiro, proporcionando bootcamps, que dão um pouco mais de estrutura e foco para os jogadores para que eles possam melhorar seu desempenho.”
O jogador também explicou como foi o planejamento da equipe neste começo de temporada para que o time pudesse priorizar os campeonatos que teriam um maior impacto para a equipe que busca somar pontos no Ranking da Valve.
“É muito importante para nós, em forma de planejamento, vermos o que vale realmente a pena. Hoje, nos campeonatos de janeiro, priorizamos os presenciais e acabamos não jogando o CCT. Estávamos,também, com a ideia de que, caso houvesse um conflito com a BetBoom RUSH B! Summit, não jogaríamos até o open qualifier da IEM Rio e priorizaríamos novamente jogar na LAN e tentar somar pontos lá.”
“Acredito que muitos times estão fazendo isso e tudo vai de acordo com o momento que você está no time. Acho que jogar os presenciais sempre vai ser importante. Às vezes você já tem bastante ponto, então não jogar um campeonato online, que só vai ser benéfico para os outros adversários, também é muito importante. A cada momento, estamos sempre analisando e reanalisando isso.”
Com a largada oficial da temporada de 2026, os times brasileiros que lutam para se firmarem cada vez mais dentro de zonas de classificação para torneios no VRS terão uma longa jornada pela frente. Com um calendário preenchido, equipes precisarão se provar cada vez mais em LANs e, também, deverão mostrar que são capazes de lidarem com todas as adequações necessárias para usufruírem do novo sistema a seu favor.
Até o momento, foram anunciados mais oito torneios em LAN que acontecerão no país neste ano. O próximo evento será a BetBoom RUSH B! Summit Part Deux, em São Paulo, entre os dias 25 de fevereiro e 1º de março. Você pode conferir todos os próximos campeonatos confirmados no Brasil até agora aqui.























