meyern, da 9z, durante o Circuit X Cuiabá

Pela família e pela 9z, meyern volta aos palcos após seis anos

Promessa na década passada, jogador falou sobre problemas de saúde e recomeço

A carreira de Ignácio "meyern" Meyer não tomou exatamente o rumo esperado, mas ele está feliz de não ter largado o Counter-Strike. Um dos maiores talentos do cenário sul-americano na década passada, meyern volta aos grandes palcos nesta quinta-feira, seis anos após os seus últimos eventos internacionais.

"Rolou muita coisa nessa época, principalmente com assuntos pessoais que eu tive", disse meyern em entrevista à Dust2 Brasil durante o media day da BLAST Open Rotterdam, em Copenhague, na Dinamarca.

meyern apareceu para o cenário brasileiro na Isurus, que defendeu durante a primeira parte de 2019. O bom desempenho na equipe, que morava e competia no Brasil, levou à um convite da Sharks, onde meyern brilhou pela segunda metade do ano. Em 2020, ele se juntou ao MIBR, mas deixou a equipe após cinco meses, sem ser o jogador que se esperava.

Dali em diante, meyern rodou por uma série de times argentinos, sempre por períodos curtos de tempo e não sendo nem de longe o mesmo de antes. meyern enfrentou seus próprios demônios.

"O meu foco foi em mim, me importar comigo, me preocupar com as pessoas que estão perto de mim, que me falavam que eu já não estava sendo a mesma pessoa. Foi um aprendizado pessoal aprender como sair do problema que eu tinha e voltar mais forte", disse o jogador, sem entrar em detalhes.

"O principal para mim foi cuidar da minha saúde e daí consegui voltar para jogar CS. Poderia ter acontecido diferente, poderia não ter voltado e parado de jogar há muito tempo. Mas, por sorte, tive minha família e as pessoas que estão perto de mim, que me ajudaram para eu voltar a jogar e focar somente no CS", completou.

meyern atuando pela Dusty Roots na FERJEE Rush

Apoiado pelos entes queridos, meyern encontrou também boas parcerias dentro do jogo. Na sua penúltima equipe, a Dusty Roots, ele foi chamado para cumprir uma "nova" função - a de awper, que tinha abandonado mesmo antes de brilhar no passado.

"Quando saí da Bounty Hunters eu comecei a streamar e jogar pugs de AWP. Eu tenho um passado como awper, quando comecei a jogar CS eu era awper, algumas pessoas me conhecem por isso", lembrou.

"O tom1jed me chamou para jogar nessa função porque eles não tinham mais um awper. Aí eu aceitei, nós testamos e eu topei, não só para ocupar o papel, mas porque eu gosto também. Até hoje eu gosto muito, estou todo dia aprendendo e melhorando. Foi uma boa decisão e hoje na 9z já passou bastante tempo e sinto que estou muito melhor", contou o jogador.

meyern disse que a mudança veio para ficar e está confortável com a AWP. O convite para ocupar esse papel na 9z, inclusive, veio como uma surpresa.

"Eu fiquei surpreso, não estava esperando. Eu também senti que estava tendo um bom momento, tive muito pouco tempo antes de entrar na 9z para me testar como awper. O pouco tempo que eu joguei consegui ganhar um campeonato com a Dusty Roots, tive oportunidades para me provar", disse.

"O desempenho que eu tive lá foi o que despertou o interesse da 9z, e daí, quando chegou a oferta, eu me senti confiante. Era uma oferta muito boa em um bom momento para eu me mostrar", completou.

meyern, da 9z, durante o Circuit X Curitiba

E o começo do time, uma dos episódios mais comentados do início da temporada, foi caótico. Luca "Luken" Nadotti saiu de maneira repentina, Franco "dgt" Garcia voltou e a 9z teve de ralar nas LANs locais para chegar onde está hoje, praticamente garantida no IEM Cologne Major.

"Foi uma bagunça. Nós não tivemos muito tempo para treinar, teve a mudança do Luken e a entrada do Fran (dgt) no time. Não tivemos quase nada de tempo para treinar, mas nos esforçamos muito. Lembro que, desde o primeiro dia, estamos colocando toda a nossa energia, o nosso nível máximo, todos estão a 100%", afirmou meyern.

"Não estamos no nosso 100% como time, ainda temos muitos buracos, muitas coisas para melhorar. Sinto que o fato de nos acompanharmos, todos com a mesma mentalidade e o mesmo objetivo como time é o que nos fez termos resultados. E nós, desde o começo, quando perdemos os pontos e tudo, não pensamos muito no ranking. Pensamos mais no dia a dia e em como melhorar para jogar campeonato atrás de campeonato, e isso foi algo que fez com que tenhamos bons resultados. Não pensamos muito no futuro, mas no presente e em como estávamos como time", continuou.

Mesmo que o time ainda está em construção, os objetivos estão sendo cumpridos. Foi essa 9z "esburacada" que trouxe meyern de volta à um grande evento internacional de CS. Além da família, meyern dá créditos do seu retorno aos companheiros.

"Fazia muito tempo que eu não jogava (um evento assim) mesmo. O principal fator para eu ter voltado foi minha equipe. Eles me ajudaram muito nessa mudança de role. Eu me sinto muito confortável jogando com eles e, toda hora, eles me ensinam coisas novas para eu pegar e jogar melhor. É graças a eles que eu estou aqui", afirmou.

"Estou muito feliz de voltar a jogar um campeonato aqui. É uma energia diferente, está sendo muito bom para nós e treinamos contra equipes daqui. Estamos aproveitando esse momento, ganhamos essa vaga (por merecimento), estamos desfrutando e não viemos só para jogar, queremos melhorar e ganhar", completou o jogador.

meyern da 9z durante o Circuit X Redemption Curitiba

Há, claro, ansiedade, mas meyern sabe que é preciso tratar o campeonato como qualquer outro para tentar aliviar o sentimento.

"Estou lidando (com a ansiedade), mas estou jogando como se fosse mais um campeonato. O principal fator para nós é focar no nosso jogo, manter o que estamos fazendo bem, mas melhorar jogo a jogo, aprender com o próximo e deixar tudo no campeonato e no treino", disse.

"O nível aqui é muito alto, te puxa para jogar melhor. Hoje em dia a 9z não está tão longe do nível daqui, mas são times que estão constantemente jogando campeonatos muito importantes, então eles te puxam, te forçam a jogar o melhor CS possível. O fato de estarmos a 100% a toda hora, no campeonato e no treino, é importante, o melhor, o que eu mais sentia falta", completou.

O nível da estreia da 9z não poderia ser mais alto. A equipe vai enfrentar a Vitality - o melhor time do mundo (ou da história). De quebra, meyern ainda terá um duelo particular com o quatro vezes e atual melhor do mundo, Mathieu "ZywOo" Herbaut.

"Eu vou confiante. Não tem o que fazer. Eu respeito muito (o ZywOo), é o jogador que mais gosto de assistir. O ZywOo é diferenciado, a Vitality tem todos os melhores jogadores nos papéis que eles têm. Respeitamos muito eles, mas confiamos muito no nosso jogo. A 9z não está tão longe do nível do tier 1, vários times já conseguiram ganhar e fazer boas partidas (contra grandes times)", afirmou.

"Estamos focando nas nossas coisas, temos um bom jogo e é uma boa partida para nos testarmos, começarmos a ver como é no tier 1, como nós estamos. Sinto que é um bom momento para nós. Estamos mandando bem no SA. Todos querem jogar esse tipo de partida", completou.

meyern, na época no MIBR, ao lado de fer e FalleN durante a BLAST Premier Spring em 2020

Apesar dos desafios que tem na BLAST, não há como ignorar o que vem por aí. A 9z já está praticamente classificada para o IEM Cologne Major, e por mais que meyern "anulo mufa" (expressão argentina equivalente ao "sai, zica"), ele realizará seu sonho de criança.

"Preferimos não zicar (risos), mas estamos jogando campeonato atrás de campeonato e não pensamos muito no Major. Quando for a hora, sabemos que vamos chegar e focar no Major. Mas é algo que vem com o resultado do time. Para mim, se der certo (a vaga no Major), seria uma alegria muito grande. É um sonho que tenho desde que sou criança", disse.

"Cresci vendo FalleN, coldzera, TACO, fer e fnx. São caras que, quando eu comecei a jogar, ganharam o Major. Para mim, foi uma coisa que me motivou muito para começar. Sempre foi meu sonho (jogar um Major), me sentiria muito feliz por cumprir isso, mas não só individualmente falando, mas pelo que estamos fazendo como time, por todos os problemas que tivemos desde o começo. Foram dias muito difíceis, mas saímos ganhando e nós, como um time, passamos por toda essa experiência e isso nos fez crescer muito em pouco tempo. Para mim, seria uma alegria muito grande (jogar o Major), mas o mais importante é o que estamos fazendo como time", finalizou.

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