sidde, da FURIA, durante a BLAST Open Rotterdam

sidde: "Se você quer estar entre os melhores do mundo, tem que fechar esse tipo de jogo"

Treinador falou sobre derrota para Aurora e relatou dificuldades na Inferno

A FURIA viu escapar pelos dedos a vaga dos playoffs da BLAST Open Rotterdam. A equipe brasileira perdeu a primeira chance de avançar para a próxima fase num confronto contra a Aurora, onde teve seis rounds de vantagem para fechar o primeiro mapa, mas acabou derrota por 2 a 0. Para Sidnei "sidde" Macedo, o time vacilou na Dust2 e não vem bem na Inferno.

"São dois mapas que têm formas diferentes de analisarmos a derrota", disse sidde em entrevista à Dust2 Brasil.

"Na Dust2 foi vacilo mesmo. Costumamos usar uma palavra em inglês para isso, tightness, que é jogar bem concentrado em cada round até o final porque o jogo está num momento muito tenso", continuou o treinador.

A FURIA chegou a fazer 12-6, mas acabou derrotada por 14-16.

"Acredito que tenha faltado um pouco disso para nós, perdemos situações que não se perdem na Dust2 no nosso lado TR. Acredito que tenha sido um pouco de mental. Não acho que faltou alguma coisa de preparação ou de técnica na Dust2", afirmou.

A Inferno, para sidde, foi diferente. Por mais que o mental foi abalado após a vantagem perdida, o treinador vê o time sofrendo no mapa.

"Quando olhamos para a Inferno é um mapa que já foi muito mais para o lado técnico. Temos tido dificuldades no lado TR nesse meta novo. O mapa mudou bastante na maneira de jogar. Quando conseguimos nos adaptar na maneira antiga, tivemos que correr atrás do jeito novo de jogar", explicou.

"No geral, depois do que aconteceu na Dust2, não merecemos ganhar, essa é a verdade. Precisávamos fechar aquele jogo. Se você é um time de elite, se você quer estar entre os melhores times do mundo, esse tipo de jogo você tem que fechar, tendo toda essa vantagem. É difícil não carregar um pouco da frustração para a Inferno, embora tenhamos tentado. Eu, de verdade, não coloco muito desse mental na Inferno. Eu vejo mais pelo lado técnico", completou.

sidde explicou as dificuldades que o time tem tido na Inferno.

"O jogo está muito mais lento. Se você assistir à Inferno de alguns meses atrás você vê que o jogo se resolvia na banana, nos primeiros segundos do round você já tinha uma ideia de como o round iria acontecer de acordo com os trades da banana. Ou tínhamos muitos rounds em que começávamos com quatro na B e terminávamos na B. O mapa está voltando agora para o estado de CT ter aprendido a jogar contra isso. Não adianta ficar tentando forçar muito na B que você perderá", disse.

"Nós temos tido dificuldades de nos organizarmos para os momentos finais do round e não estamos chegando com qualidade nos segundos finais do round, precisamos pensar como jogaremos. Se vamos encontrar uma forma de ir B sólida no começo, se existir alguma nesse meta atual. Precisamos repensar como estamos estruturados no mapa, porque o nosso jogo no momento é muito dependente da B e não está valendo a pena. Tem algumas Infernos que temos jogado focado na B e não sei se vamos, realmente, encontrar como fazer isso de uma maneira diferente ou se vamos reestruturar o mapa, enfim. Temos que pensar", continuou.

sidde, da FURIA, durante a BLAST Open Rotterdam

Com map pools bem parecidos, Aurora e FURIA travam uma batalha antes mesmo do jogo começar, nos vetos. sidde disse que a escolha do adversário pela Dust2 surpreendeu mais que o ban na Mirage - as duas equipes vetam a Ancient, e dessa vez foram os brasileiros que optaram por não jogar o mapa.

"Imaginamos que eles fossem banir a Mirage porque eles perderam para nós da última vez. E como eles têm esse luxo de não vetar a Ancient, eles escolheriam um mapa que, em tese, era mais forte nosso. Não estávamos preparados para pickar Mirage. O que surpreendeu mais foi o pick da Dust2. Imaginávamos que eles pudessem pickar uma Inferno ou algum mapa diferente assim porque ganhamos deles na última Dust2 e tem sido um bom mapa nosso. Mas eu diria que o veto não surpreendeu, não", contou.

Além das dificuldades dentro do servidor, a FURIA também está sofrendo com os horários. O time brasileiro jogou na última faixa do dia em seus dois compromissos até aqui - à reportagem, a BLAST disse que o cronograma foi acertado previamente e que não tem colocado a FURIA no último horário arbitrariamente -, o que tem causado reclamações.

A FURIA, inclusive, tem optado por treinar ao longo do dia para não desperdiçar o tempo. sidde acredita, porém, que isso não atrapalhou na falta de "tightness".

"O cansaço vem independente do treino. Já tivemos séries que jogamos bem tarde, que não tínhamos treinado ao longo do dia e o cansaço vem do mesmo jeito. Na verdade, o treino foi uma forma que encontramos de não ter um dia tão ocioso. Tivemos dias que ficamos sem fazer nada, esperando o horário do jogo, tentando descansar durante o dia e chegamos cansados igual", contou.

"É mais por conta de não estarmos acostumados a trabalhar nesse horário porque, na verdade, não tem muita coisa no dia a dia que façamos depois das 20h no CS. Nós treinamos das 10h às 20h num dia normal e a vida de todo mundo é meio que ajustada para esse horário. Precisamos nos preparar melhor para essas coisas, encontrar maneiras de chegar conseguindo performar porque o time sofre, sim, em jogos mais à noite", completou.

sidde, da FURIA, durante a BLAST Open Rotterdam

Agora, para chegar aos playoffs, o time terá que passar pela repescagem. O primeiro adversário é a NRG, no domingo, às 8h (horário de Brasília).

"Primeiro precisamos olhar para as coisas em que temos tido dificuldade. Existem alguns pontos no nosso jogo que estão desajustados independente do adversário que estamos jogando contra. A primeira parte do trabalho será realmente olhar para essas coisas que precisamos consertar e depois preparar como para qualquer adversário", disse sidde.

"É um time muito potente, eles tiveram mudanças agora, trouxeram o Grim, que é um jogador muito experiente. Vimos o que eles fizeram contra a B8, um time que dá trabalho para muita gente. Vamos encarar com a seriedade de como se estivéssemos jogando contra um time de elite, como sempre fazemos", finalizou.

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