
FalleN: "Virão outros ídolos, outros heróis e caras para serem campeões"
O Counter-Strike brasileiro vai sofrer um baque no final do ano, quando Gabriel "FalleN" Toledo vai encerrar sua carreira como jogador. Em entrevista à Dust2 Brasil, o maior nome dos esports no país contou que o cenário seguirá firme.
"(O cenário) vai ser grandioso. Temos muita coisa para ajudar, temos outras pessoas no Brasil com talento. As coisas vão continuar e só vão melhorar. Ninguém é maior que o jogo, gosto de dizer isso. O Counter-Strike é grandioso, tem muitos apaixonados e muita gente que vai ter a chance de modificar suas vidas através do CS. Virão outros ídolos, outros heróis e outros caras para serem campeões, tenho certeza disso, e vamos ajudar para que isso aconteça."
Ajudar o CS a seguir sendo grandioso vai ser um novo trabalho de FalleN, que teve sucesso nesta missão enquanto jogador, porém agora auxiliará de fora dos servidores. No entanto, o Professor ainda não decidiu qual será sua próxima função.
"Tenho tantas oportunidades de trabalho que é até difícil. Vai começar um outro problema agora que é o que fazer. Graças à Deus tenho muitas opções de trabalho, tenho minha companhia, tenho opções de transmissão, de aula, opções de conteúdo na internet... tem tanta coisa para fazer legal que realmente vou tentar entender onde posso fazer mais a diferença. O meu grande objetivo é tentar ajudar outras pessoas a terem as vidas impactadas e transformadas pelo jogo."
"Com certeza vou continuar com os conteúdos. Pelo fato de não estar jogando competitivamente também, significa que vou poder jogar um pouco mais a sério em live em alguns momentos, que é algo que normalmente não dá para fazer e é uma maneira de ensinar as pessoas. Vai ter muita coisa legal para fazer em termos de conteúdo, de participação em outros projetos e o pessoal pode contar comigo que irei seguir na ativa e ajudando bastante o CS a continuar forte no Brasil e no mundo", seguiu.
Outro passo importante a ser tomado rumo à 2027 e, que também vai contar com influência de FalleN, é a definição de quem vai substituir o atual capitão da FURIA na equipe.
"Uma parte do meu próximo trabalho é continuar pensando em como manter a FURIA forte, competitiva. Esse trabalho de achar o próximo jogador, de certo modo, já começou, porém ainda é cedo porque temos muitos dias pela frente, mas é papel meu, dos jogadores, Guerri, sidde e diretoria de encontrar o próximo passo que queremos dar, visando manter o time no topo do CS. Essa responsa também está nos meus ombros, mas é algo que irei olhar com mais ênfase no segundo semestre", explicou FalleN.
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Atualmente a 246 dias de distância da sua aposentadoria, FalleN falou da sensação de estar jogando suas últimas partidas na frente da torcida brasileira.
"Ontem foi um dia bem emotivo, foi difícil colocar em palavras algumas coisas que eu queria dizer para a galera. É um momento difícil, uma decisão dura, como se uma nova fase na minha vida fosse começar e uma outra está ficando para trás. É sempre complicado isso, porém recebi bastante carinho de todos familiares, amigos e muitas pessoas da comunidade me mandaram mensagens legais. Fiquei contente de escutar reafirmações de coisas que tenho de importância na vida das pessoas e isso é muito gratificante. Foi bem legal o dia de ontem, hoje foi bacana também e amanhã será legal demais. 245 e tô jogando contra a Falcons em casa, então estão sendo dias divertidos. Quando tudo acabar, na segunda-feira aqui na IEM Rio, já vai voltar a monotonia porque essa parte é gostosa mesmo e é incrível estar aqui."
"É muito prazeroso, sendo sincero. Tem tanta gente assim. Dentro do time, sempre brincávamos 'pô, vocês vão gostar de jogar no Brasil, vai ser barulhento, galera é diferente'. E eles 'ah, como assim é diferente, torcida é torcida e tal. Ali o pessoal já percebeu que o negócio é mais embaixo, a torcida realmente faz um volume maior. Foi gostoso ver o time sentindo essa energia da torcida. Para mim, estar jogando ali é um prazer. Na hora de jogar, nos desconectamos de tudo e focamos no game, mas uma hora ou outra me peguei olhando para a galera e pensando 'pode ser minha última vez em um estádio brasileiro'. Isso veio na cabeça e foi legal ver tanta gente ali: familiares, amigos e tantos fãs juntos. É uma alegria enorme", seguiu.
Emoção coletiva
Não só FalleN e Letícia Lorena, sua esposa, choraram com sua mensagem de anúncio de aposentadoria, no palco da IEM Rio. Companheiros de equipe do Professor também se emocionaram, e o capitão comentou.
"É muito prazeroso, sendo sincero. Tem tanta gente assim. Dentro do time, sempre brincávamos 'pô, vocês vão gostar de jogar no Brasil, vai ser barulhento, galera é diferente'. E eles 'ah, como assim é diferente, torcida é torcida e tal. Ali o pessoal já percebeu que o negócio é mais embaixo, a torcida realmente faz um volume maior. Foi muito gostoso ver o time sentindo essa energia da torcida. Para mim, estar jogando ali é um prazer. Na hora de jogar, nos desconectamos de tudo e focamos no game, mas uma hora ou outra me peguei olhando para a galera e pensando 'pode ser minha última vez em um estádio brasileiro'. Isso veio na cabeça e foi legal ver tanta gente ali: familiares, amigos e tantos fãs juntos. É uma alegria enorme.
"Ver a reação do time só prova o quanto significa para os caras estarmos jogando juntos. Esse time aqui é formado por 3 brasileiros que não estavam indo tão bem, que pegou um cara que não estava indo tão bem e que pegou um moleque que nunca tinha jogado. Achamos uma química sinistra juntos, nos gostamos muito, nos damos bem fora do server. Trabalhamos duro e ver a reação da galera é algo que transcende um pouco o game, é mais coisa da vida. O pessoal tem uma dedicação forte. Fiquei contente de ver como reagiram, me senti amado, respeitado e senti que tenho reais amigos quando estou nesse meio de trabalho. Isso é bem gostoso e não tenho muito para falar sobre porque é algo mais emotivo, mas foi legal."
Estraga-prazeres
Melhor time do mundo, a Vitality tirou a FURIA da grande final da IEM Rio ao derrotar os brasileiros em casa por 2 a 0. FalleN avaliou a partida.
"Foi um jogo bacana, podíamos ter vencido os dois mapas. Começamos bem na Overpass, eles encontraram uma solução legal para o ponto 7 ou ponto 10 ali, foram rounds bem parelhos, bem próximos. Eles conseguiram voltar na partida. Tivemos a chance de jogar melhor de TR na Overpass, demoramos um pouco para realizarmos o que queríamos. Muito tempo ocioso. Acho que não conseguimos rodar 100% do que queríamos, em relação também às possibilidades dos caras avançarem nas costas e coisas do tipo. Não fizemos uma boa partida desse lado TR. Já na Ancient, foi um jogo que levamos para esse matchup que já tinha acontecido em Chengdu."
"Estamos jogando contra um time que é muito bom e não existia nenhum pick que com certeza falaríamos 'esse mapa aí vale a pena pegar porque os caras são ruins'. Eles são bons em todos. Levamos para um mapa onde os dois times jogam em um nível bem mais baixo e que já deu certo em outro campeonato. Literalmente tivemos chances de ganhar esse mapa também, foi um ou outro round no qual o adversário ficou com pouco HP que teríamos situações mais vantajosas para a gente, que não vieram a nosso favor. A Ancient era uma roleta-russa, não vou negar. Foi por pouco, tivemos boa chance, adversário bom e faltou pouquinho para a gente conseguir ganhar hoje", concluiu o Professor.
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