card no Circuit X Pantanal com a Yawara

card: "Se eu tivesse streamado mais, talvez estivesse em um time agora"

Jogador, que tem dividido lobbies com Liminha e nak, busca mais visibilidade para retornar ao competitivo

Quem acompanha o cenário sul-americano provavelmente já viu a tela de Cauã "card" Cardoso nas centenas de partidas em que disputou. Agora, é possível assistir ao jogo do awper de uma forma diferente - com menos peso e mais diversão - já que o jovem de 22 anos tem focado nas streams enquanto está free agent.

Em conversa com a Dust2 Brasil, card não fechou as portas para o competitivo e mostrou que está abrindo uma nova possibilidade para a sua carreira, além de admitir que as streams poderiam ter mudado a sua situação atual no competitivo.

"Não quero sair do meio do CS, gosto muito do jogo, desde moleque. Fazer live vai se tornar um foco caso eu não encontre um time. Isso é bom porque, se fizer umas certas horas de live, você acaba ganhando mais do que um salário normal de um jogador aqui no Brasil. É uma segunda possibilidade de se mostrar mais, ter mais imagem, e é algo que falta bastante e eu podia ter dado mais carinho no meu começo. Se eu tivesse streamado mais, ter me mostrado mais, talvez eu estivesse em outro lugar, em um time agora, ou mais famoso."

Arrependido de não ter buscado essa visibilidade maior para si, card entende que tem muitas pessoas que não gostam de streamar, porém aponta que fazer essa mídia é importante "quando você é um jogador normal do cenário".

"Gaules, Liminha, nak e a maioria dos viewers só acompanham mesmo o tier-S. Dificilmente, alguém assiste um CCT, isso é raro. Então, você ser um bom jogador e streamar é legal porque abre portas para que o conheçam. Tem vários jogadores que já conseguiram muitas oportunidades por causa das lives, vídeos, até mesmo sem jogar, porque passam a ver sua tela. Se eu pudesse, recomendaria para todos que streamassem, mas não é todo mundo que vai fazer isso. Agora teve a Odyssey Cup, que teve pouquíssimos viewers se compararmos com campeonatos grandes, então a galera precisa se exibir para que te conheçam".

Durante a maior parte da sua carreira, card disputou este campeonatos que não ganham a maior visibilidade da comunidade brasileira. Questionado do que pode ser feito para chamar atenção para estes torneios, o jogador respondeu.

"Acho que é algo do público mesmo, que prefere assistir campeonatos maiores. Talvez, se o Gaules começasse a transmitir, porém isso é muito fora da curva porque ele tem muitos outros campeonatos, coisas por fora. A solução seria melhorar a divulgação dos torneios. Até essas competições pequenas lá fora, quando tem time brasileiro, como a Sharks agora (que está no BC Game Masters Championship S2) tem pouca visibilidade. É um time que vai para o Major e, mesmo assim, não tem visibilidade.

Com quase seis anos de competitivo, card passou a focar nas streams. O awper tem participado das lobbies matinais com André "liminha" Kenzo, Gustavo "yel" Knittel, Lucas "steel" Lopes, Renato "nak" Nakano e mais.

"Quando era do MIBR Academy, já tinha jogado com eles assim que o steelega aposentou. Sempre curti jogar com eles e, quando saí da Yawara, vi que era uma chance de me mostrar mais, ser menos low profile, para a galera me conhecer, porque o pessoal assiste mais os campeonatos do tier-S. A aproximação aconteceu naturalmente, um dia eu ia streamar, o nak me chamou para jogar e comecei ali nos lobbies com eles."

"Sempre tive muito contato com ele desde o MIBR Academy, então foi um vínculo fácil. Com eles é mais resenha, brincadeira, faz bem jogar um CS tranquilão, mas além desses lobbies, também jogo Supermatch na FACEIT porque sempre cai um profissional na fila", seguiu.

O dia de card começa com os lobbies com nak, liminha e mais pela manhã até umas 14h da tarde, em live. Depois que fecha a stream, o jogador "fica mais de boa" antes de jogar cerca de três partidas de Supermatch na FACEIT. Com experiência na rotina como streamer e como jogador, card apontou o que prefere.

"As duas rotinas têm seus prós e contras. A de proplayer é um pouco exaustiva, principal quando você está em um bootcamp, algo assim. Mas, no dia a dia, são similares. Eu, em live, estou jogando as mesmas horas que jogava quando estava em time. Sigo assistindo as partidas profissionais, como o CAC, e até por isso não streamei tanto essa semana."

card com a Galorys em sua 1ª LAN

Com muita vontade de voltar a jogar profissionalmente, card procura uma oportunidade no competitivo, seja com uma organização ou um projeto com outros free agents, mas admite que este período tem sido positivo.

"Joguei muito tempo no competitivo, com essa rotina de treinos e tal, então agora estou tendo um tempo mais livre, jogando CS sem ter aquela obrigação de ser 100%, porque você precisa estar totalmente comprometido, todos os dias da semana, quando está num time."

Outro ponto de comparação entre streams e competitivo é a questão financeira. Ao longo dos anos, muitos jogadores já falaram que é mais viável streamar do que atuar profissionalmente, e card deu sua visão.

"Para mim, é muito recente, não cheguei a ganhar algum valor significativo porque estou streamando há menos de um mês. Para fechar os patrocínios, preciso de ter um certo tempo e viewers, porém se você tiver constância nas streams, você ganha muito mais do que um jogador normal de time brasileiro, isso é fato. Sem ser os times lá de fora, que tem jogadores que ganham um salário bem alto, mas os que jogam campeonatos menores aqui, ganham cerca de 4 a 7 mil reais, pelo que conheço. Com live, dá para tirar bem mais se tiver um canal grande ou até mediano", disse.

O time que marcou a carreira de card foi o MIBR Academy, organização na qual o awper teve três passagens, totalizando cerca de cinco anos no clube.

"Passei muito tempo no MIBR Academy e sinto que isso deu uma atrasada ali, que eu poderia ter tido experiência mais rápido em outros times. Foi algo que me travou e perdi bastante tempo da minha carreira. Teve uma fase no MIBR Academy que eu estava desempenhando bem, com ótimos números no Brasil, mas me estagnei. Minha primeira LAN foi ano passado, demorei muito para isso, porém ainda não é algo que, para mim, acabou. Estou querendo ter mais visibilidade para mostrar meu jogo para fechar um time para o segundo semestre. Ainda tenho muito potencial para mostrar", concluiu card.

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