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Aliança acha "um pouco difícil" Seleção da ENC com principais jogadores de CS

Copa do Mundo busca encontrar espaço no meio do calendário mundial agitado

Campeonato com moldes diferentes ao que a comunidade está acostumada, a Esports Nations Cup dificilmente terá os principais jogadores brasileiros. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, o Diretor Nacional da Aliança Brasileira de Esports (ABE), Jaime Pádua, falou do encaixe do torneio no calendário agitado do CS.

"Ainda não existe uma clareza muito grande de como vai rodar. Sabemos que vai ter um qualify, porém ainda não sabemos a data, o formato. Desde que a ENC foi criada, existia essa questão do calendário, conflito com BLAST e de ser anterior ao Major. Óbvio que existe um interesse e um carinho de tentar ajudar de alguma forma, mas dependemos de algumas informações se o qualify vai ser viável ou não e de como será o calendário no segundo semestre. A gente vê que é um pouco difícil disso acontecer, sendo bem sincero. A realidade é que os clubes que vão disputar o Major, provavelmente vão ter dificuldades de fazer essa liberação, mas nada impossível. Estamos nesse debate em aberto."

"É uma dor de cabeça que a própria ENC está sofrendo todo dia para resolver: essa equação de equilibrar as regras da Valve, o calendário que exige uma certa antecipação de quando serão as datas. Para esse ano vai ser um pouco mais complicado, porém para 2028 será um pouco mais fácil de resolver", seguiu Jaime, que também é CEO da FURIA.

Yuri "Fly" Uchiyama, CEO da Gamers Club e manager da Aliança, adicionou sua opinião acerca da dificuldade que a ENC pode encontrar com o calendário do CS, além de explicar como funcionará as seletivas com mais clareza.

"O CS vai ser um jogo bem diferente dos outros porque precisa respeitar as regras da Valve. Não é só escalar a seleção e jogar. O principal desafio é que ele vai ter 96 qualifiers nacionais e, pelo ranking, um dos países é o Brasil provavelmente. Vai ser aberto, qualquer pessoa pode jogar lá. O ganhador se torna o representante da seleção brasileira para disputar um qualificatório regional e, daí sim, ir para as finais (em LAN na Arábia Saudita) em novembro. No CS, além do desafio da data de jogar a final, tem o desafio de jogar a seletiva nacional, do qualificatório da região e depois das finais mundiais.

"Nosso papel aqui vai ser convencer o maior número de pessoas a montarem suas equipes e participarem destes qualificatórios nacionais para que estejamos bem representados no Brasil. A regra vai ser a mesma dos outros jogos de cinco pessoas: no máximo três da mesma org. Teremos que fazer um trabalho de alguma forma, ainda estou pensando como, de convencer as pessoas a participarem desse qualificatório aberto e representarem nossa seleção. Nosso especialista, Fallenzao, está ajudando com ideias", acrescentou.

A Esports World Cup - responsável pela ENC - vê que as seletivas nacionais podem ser uma oportunidade animadora para os jogadores brasileiros, que vão poder montar suas escalações para a disputa da qualificatória, em busca de representar o país na Copa do Mundo de esports, conforme explicou Hans Jagnow, diretor da EWC.

Durante a coletiva, Jaime Pádua, Fly e Hans Jagnow também falaram do processo de formação da Aliança, o futuro da ABE para além da ENC e o momento de tensão que vive o Oriente Médio. Leia alguns trechos.

Caixa de fatos

Divisão de funções e conflito de interesse

Jaime Pádua

Do jeito que é desenhada a Aliança e como é nossa relação com a ENC, existe uma separação de papéis. O fly não está com nenhuma organização, então é o braço que está tomando a decisão final competitiva. É natural que conversemos sobre as opções, os outros times também indiquem e deem feedbacks sobre jogadores ou ex-treinadores. Todo mundo tem opinião sobre alguma coisa, porém quem está comandando este processo é o próprio fly e ele está focando isso de maneira muito inteligente, conectando outros especialistas. Por mais que possa parecer 'pô, a FURIA comandando o processo junto com outras equipes e falar que não tem conflito de interesses', mas realmente não tem. Criamos essa separação para termos esse processo o mais correto possível, buscando o interesse principal que é competir no mais alto nível.

Fly

Meu papel é escolher, até 7 de abril, os técnicos de cada modalidade. Depois, os técnicos, até 30 de abril, vão escolher esses jogadores. Óbvio que poderei opinar, mas a decisão, até pela regra da ENC como um todo, é que o técnico tem a responsabilidade de escolher os jogadores de cada seleção. Para o CS e Apex, que tem qualifiers abertos, não escolhemos os coaches agora. Sendo pessoas inteligentes, irão conversar com outras pessoas para pegarem feedbacks porque não tem como todo mundo ter trabalhado com todo mundo. Eu tenho uma boa relação em todo ecossistema, mas não sou especialista em todos os jogos, então busquei pessoas de cada jogo para serem meus braços direito para passarem opiniões de quais seriam as principais pessoas para serem coaches e fui pegando os feedbacks. A ideia é montarmos o melhor time possível para que o Brasil seja campeão. Eu escolhi os coaches analisando os resultados dos últimos seis meses, essa é minha preferência, e conversei com algumas pessoas para entender se tinham algumas outras opiniões. Não necessariamente será o campeão dos últimos seis meses, mas ele com certeza teve uma sequência de bons resultados neste semestre. Performance mais feedback do ecossistema.

Futuro da Aliança e organizações de fora

Jaime Pádua

O processo seletivo da Nations Cup foi muito curto, então não tivemos muito tempo para nos prepararmos. Por isso, normalmente não queremos complicar, queremos manter o processo de forma mais simples, então a tendência foi que falássemos com organizações que temos contato no dia a dia, que estão em múltiplos jogos, falamos sobre contratações, ecossistema, que estou junto em reunião da Riot, de CS. Foi natural que fosse um número menor de organizações inicialmente, porém que não se restringisse a elas. A nossa ideia era simplificar e não complicar o processo e, a partir do momento que fomos aprovados e criamos a Aliança, a ideia é que a gente possa trazer mais organizações e mais da comunidade: streamers, especialistas, jogadores, treinadores. Não queremos fazer algo dos clubes. Não é a FURIA e os outros clubes. É uma parada dos esports e não estamos restringindo ninguém.

A Aliança não é exclusiva para a ENC. A ENC, na verdade, é a força aceleradora deste processo. Ela nos ajudou a acelerar o processo, organizar a casa, juntar esforço, para competir inicialmente, mas que vai servir de base para fomentar os esports no Brasil, termos mais campanhas de formação de jogadores, investir mais em estrutura, buscar apoio de várias frentes diferentes sejam empresas, governo.

No início do processo, criamos um comitê para essa tomada de decisão. Cada organização tem o direito a voto para vermos quais são nossas prioridades, caminhos que pretendemos seguir, então todos estavam de acordo no Fly ser o braço direito para tocar esse processo, por exemplo. Todo mundo tem voz. Estou tendo mais visibilidade porque assumi mais responsabilidade, porém, nos bastidores, estão todos trabalhando, debatendo. O Funari tem sido fundamental nessa relação institucional com o governo, que facilita muito o nosso trabalho, o restante tem colaborado em outras frentes como campanha, parte do marketing. Estamos dividindo esse trabalho.

Tensão no Oriente Médio

Hans Jagnow

Estamos vendo essa preocupação crescendo, mas tanto EWC quanto ENC seguem nos trilhos. Ambos eventos estão planejados a começarem em alguns meses ainda, a preparação está continuando como planejada. Porém, ao mesmo tempo, mantemos um olhar próximo e seguimos com uma coordenação ativa com as autoridades da região. O bem-estar e a segurança de todos jogadores, fãs, parceiros e nossa staff é a nossa prioridade absoluta. Temos planos operacionais e de contingência. Se as circunstâncias mudarem, também estamos prontos para nos adaptarmos a elas. Por enquanto, seguimos como planejado já que ambos eventos ainda têm meses até iniciarem. Espero que essa situação seja resolvida de maneira pacífica nas próximas semanas.

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