
Entre tapas e beijos: CEO do Fluxo comenta relação com a torcida
"Quando vai ser nosso dia?", "não sei por que essa line tem patrocinador" e "papo de disband" foram algumas das críticas direcionadas ao Fluxo pelas redes sociais da organização no dia 9 de julho, quando o time foi eliminado de dois torneios. 10 dias depois, a equipe foi campeã do BetBoom RUSH B! Summit 4 e retomou o carinho da torcida.
Enquanto a fase era ruim, as críticas não se restringiram somente aos jogadores, com a diretoria também sendo questionada. Um torcedor, por exemplo, perguntou qual efeito da parceria com a W7M e reclamou que, desde então, o time não se classificou para nada.
Os últimos dias têm sido mais calmos depois da conquista na LAN em São Paulo com uma vitória por 3 a 2 sobre a Imperial. "Esse time tá muito bom, vão ser muitos (títulos) ainda esse ano", escreveu um torcedor.
Eudinho Filho, hoje CEO da organização, chegou ao Fluxo justamente por meio da parceria com a W7M. Agora em um clube com uma torcida maior e mais engajada, o profissional falou como é lidar com esse amor e ódio tão volátil.
"Já senti mais todas essas cobranças, ainda mais porque, em certos momentos, a maioria era xingamentos e ofensas. Depois de um tempo, parei para refletir e entender que, no final do dia, a maioria não quer saber se você está fazendo coisas boas na org ou benfeitorias para a empresa. A torcida só quer saber se ganhou ou perdeu o jogo e é isso."
"Mas é uma pressão, não só pela torcida mas por todo o ecossistema, torcida, investidores e o próprio reconhecimento do trabalho no projeto", acrescentou Eudinho.
Além de trabalhar para não se afetar mais com as críticas, Eudinho também precisa blindar o time dos comentários.
"Sempre tentamos explicar que a torcida, muitas vezes, pode ser eufórica. O mais importante é o nosso trabalho individual e coletivo. O resultado, infelizmente, é uma variável não controlável já que ambos os times estão trabalhando, se dedicando e tentando vencer. O que conseguimos controlar é a preparação, dedicação e temos que dar nosso melhor nisso."
Dentro de campo
Eudinho vive essa proximidade com a torcida do Fluxo na atualidade, mas quem já entrou em campo pelo time na busca pelas vitórias foi Adriano "WOOD7" Cerato, que trabalhou na equipe entre agosto de 2022 e julho de 2023.
"Na minha época, o que era dito na internet, eles (organização) assumiam como verdade absoluta e não blindavam o time. Então, a questão do longo prazo era perdida nessas opiniões infundadas. É importante você ter uma interação, dialogar com a torcida, responder perguntas e fazer esse marketing positivo, porque eles são muito legais. Se entrar só para ganhar salário e não criar uma identidade com eles, você vai tomar hate."
Enquanto a torcida do Fluxo celebra nas vitórias e critica na derrota, dois tipos de espectadores miram suas reclamações com certa frequência.
"Tem as pessoas nas live, que na maioria são apostadores, ou a torcida rival que, independente de marketing positivo ou não, vai te xingar. A grande questão é quando a diretoria não sabe separar isso. Porém, a maioria é de apoio, carinho e sinto muita falta de ir na rua, um restaurante, mercado e vir alguém 'você é o capitão do Fluxo, do MIBR?'. Mas para ter esse carinho, você precisa se divulgar", disse.
Dentro dos esports, as organizações com torcidas mais fervorosas tendem a ser as que têm raízes no Free Fire, como o próprio Fluxo e a LOS - esta que também já passou pelo CS. Um exemplo futuro será a LOUD, que está próxima de oficializar sua entrada na modalidade.
"Posso citar o vlog que o zmb (futuro IGL da LOUD) fez, que teve um marketing muito positivo e a torcida abraçou a ideia do time, o vlog que o Cx (treinador do Fluxo) está fazendo. Os jogadores que abraçam isso e trabalham em paralelo com o time vão ser felizes dentro dele."
"Agora, os jogadores que entram nestas organizações e não estão dispostos a fazer isso, muitas vezes, não vão convencer a torcida com os resultados porque ela acredita que o time precisa virar top 1 da noite para o dia. Assim, a lineup vai ser destruída, então é importante criar essas histórias", concluiu WOOD7.
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