
Parceria, planos e torcida: diretores comentam o surgimento do Dendele
O Dendele estreou oficialmente no Counter-Strike. A equipe da Kings League, comandada por Aliffe "Paulinho o Loko" Carvalho e Lucas "Luquet4" Gagliasso, disputou seu primeiro campeonato com a nova identidade na BLAST Bounty Season 2.
João Duarte, CEO da Sharks, e Fred Tannure, CMO da KR3W, revelaram bastidores da fusão entre Sharks e Dendele, falaram sobre a relação com a comunidade, o modelo de negócios e os planos para o futuro nos esports em entrevista à Dust2 Brasil.
Um dos fundadores do Dendele, João Duarte comentou sobre como ocorreu o processo de fusão entre as organizações. O CEO também destacou a parceria com Lucas "Luquet4" Gagliasso e Aliffe "Paulinho o Loko" Carvalho como um dos pontos-chave para o sucesso da parceria.
"Esse movimento, acredito que será copiado por outros. Já houve no passado, quem já tinha uma base de Free Fire, fez a fusão há cerca de quatro ou cinco anos para o CS e, agora, acho que vão existir mais parcerias e fusões como a do Dendele CS. Falamos com algumas organizações e alguns parceiros, mas tivemos muito matching, muitas coisas em comum com a Dendele. Foi uma operação que se fez muito rápido. Somos um projeto bem consolidado e acho que é por isso que também deu bastante confiança ao outro lado, aos nossos parceiros, de estarem junto conosco."
"O Dendele, ou quem está por trás do Dendele na Kings League, tem uma experiência na produção de conteúdo, entretenimento, gestão de mídia, de redes sociais e de comunidade que nós não tínhamos e que passamos a ter. Isso são as duas forças, e há uma terceira força que é ter o Luquet4 e o Paulinho como os motores da nave espacial. Isso tudo junto tem uma potência motora enorme."
"Houve vários interessados. Nós dividimos entre os que tinham mais potencial, os que tinham médio potencial e os que tinham menos potencial. Nós falamos com várias organizações. O Dendele foi mais rápida e mostrou um interesse, uma vontade muito maior e, depois, o casamento era muito aquilo. Não foi a única, também estivemos muito próximos de fechar com outra organização, uma das grandes do Brasil. Não aconteceu, mas não houve o 100%, houve 90% ou 80%, e com o Dendele foi 100%, e foi muito rápido, e foi muito bem conduzido. Eram algumas grandes organizações de esports e outras fora dos esports, além de algumas organizações grandes de esports que não estavam no CS. É bom saber que tínhamos vários interessados e que havia várias hipóteses, mas estamos muito satisfeitos com isso."
Tannure acredita que a fusão entre Sharks e Dendele foi a "junção perfeita". O executivo enxerga o projeto como escalável, com planos bem definidos para o curto, médio e longo prazo.
"Vi de uma forma muito positiva. Já tive uma trajetória com outros times de esports, aprendi alguma coisa de Counter-Strike e também de outras modalidades, mas sou muito fã de CS. Quando você vê o projeto da Sharks, você vê um time que já está há um tempo junto no competitivo, de certa forma, com uma escalabilidade, e acho que, no minuto em que o Dendele decidiu expandir os horizontes e entrar no cenário de esports, foi uma junção muito perfeita porque, com o tempo, nós conseguimos dar um pouco da cara do Dendele e, obviamente, respeitar a tradição da Sharks, e por aí vai. Eu vi isso como muito positivo. Acho que, tanto no curto, médio e longo prazo, temos um planejamento bem estipulado que, obviamente, dando tudo certo, é muito escalável."
Modelo de negócio
A fusão atualmente opera por meio de um modelo de negócio conhecido como joint venture. Neste formato, duas empresas administram um empreendimento em conjunto, compartilhando recursos e investimentos para desenvolver um projeto. Por enquanto, não há uma fusão societária entre as empresas e seus sócios, embora esse seja o plano dos parceiros para o futuro. Duarte explica:
"Neste momento, não houve ainda, apesar de estar previsto, não há ainda uma fusão societária. Isto porque, demoraria muito mais tempo, nós queremos refinar algumas coisas, queremos ir nos conhecendo e queremos perceber qual é o melhor modelo, mas já está no plano, já está num acordo assinado, que o caminho é esse. Mas, neste momento, é uma parceria, uma joint venture, que funciona, podemos chamar ali, como uma fusão. Não existe ainda fusão societária e ainda não há entidade criada dessa forma, mas será criado no futuro e os sócios serão os de Dendele FC, os sócios da Sharks e poderão existir outros sócios no futuro."
João Duarte afirmou que neste momento não há uma distinção entre "quem é da Dendele" e "quem é da Sharks". O fundador afirmou não estar muito preocupado com as questões relacionadas aos cargos, apesar de cada um já ter sua função bem definida no papel.
"Já não há essa questão de 'Sharks ficou com o competitivo, Dendele ficou com a parte de mídia, sponsoring'. É tudo junto, portanto, todos fazem parte da mesma equipe e todos respondem por uma coisa que se chama Dendele CS. Há também uma pessoa bastante envolvida, o Fred. Foi muito empenhado para que se chegasse rapidamente ao acordo. Havia uma grande vontade, de ambas as partes, dos streamers, da equipe Dendele FC e da Sharks para fazer isso acontecer."
Tannure complementou que o Dendele possui estágios de evolução para a parceria entre as organizações. O executivo afirmou que o processo da fusão está todo "desenhado" e dividido em etapas. De acordo com Tannure, as decisões serão tomadas "com calma", mas ao mesmo tempo, sempre visando ao médio e ao longo prazo, além de buscar atingir metas e objetivos da fusão na modalidade.
"Somos um só e, claro, cada um com suas responsabilidades, mas sempre todos na mesma sintonia, seguindo o mesmo caminho."
Comunidade e futuro em outras modalidades
Fred Tannure e João Duarte falaram sobre a possibilidade do Dendele ingressar em novas modalidades no futuro.
"Notamos que alguns times de esports acabaram entrando na Kings League, e o nosso caso é um pouco o contrário. É exatamente um time da Kings League entrando no CS. Estamos meio que virando o jogo nesse ponto. E aí vale lembrar que, acho que além de nós termos uma torcida, uma comunidade por causa do Dendele, nós temos uma comunidade também por causa do Paulinho e do Luquet4", comentou Tannure.
"Acho que tem um potencial muito grande, e outras modalidades, sim, podemos ver isso no futuro. Eu e João conversamos um pouco sobre isso. Mas acho que precisamos fazer as coisas com calma. De nada adianta entrar em três ou quatro modalidades e você não ter uma solidificada. Acho que precisamos fazer isso no CS, e a Sharks já tem feito um bom trabalho com isso."
Duarte destacou a união entre as comunidades do Dendele e falou dos desafios para uma organização estar em tantas modalidades. O CEO compartilhou o objetivo do Dendele ao pensar em novas categorias.
"Não somos apenas a comunidade da Kings League e do CS. Vem muita gente do Paulinho e do Luquet4 e traz essa comunidade para o CS também. É a junção, portanto, de quatro comunidades."
"O projeto Dendele CS, como poderia se chamar Dendele Esports, porque é o início, e no Counter-Strike que estamos, quer estar nos principais esports. E quer estar bem nos principais esports. E, para estar bem, você precisa de muito dinheiro. A marca Dendele CS, ou o Dendele, não entra só para participar e, portanto, não vai entrar aí agora, porque, se você quiser gastar meia dúzia, pouco dinheiro, você pode abrir amanhã já 10 novas modalidades. Mas, se você quiser estar no Tier-S das modalidades, para cada modalidade do Tier-S precisa de meio milhão a 1 milhão de dólares por ano. Meus parceiros, felizmente, conseguiram ver isso. Tiveram muitos interessados em fazer parceria com a Sharks. Só que o Dendele, o Paulinho e o Luquet4 foram mais rápidos e viram mais rapidamente aquilo que os outros não viram: que a Sharks é uma equipe que esteve no Major. Você não tem tantas oportunidades assim, até porque as outras equipes que estiveram no Major já estão, em parte, em grandes organizações."
Foi difícil desapegar da Sharks?
Duarte respondeu se foi difícil dizer adeus ao antigo nome da equipe.
"Acho que foi mais difícil para as pessoas que trabalham comigo, com a equipe, ou para os meus filhos. Meus filhos queriam que o nome continuasse. Mas, para mim, não. Eu tenho outra empresa, que é o principal grupo do qual eu sou CEO. E, às vezes, as pessoas dizem: 'Bom, isso é como se fosse outro filho', mas não, não é assim. Não tenho essa relação, sou do futuro. Quero muito é que o Dendele CS dê certo. Não escondendo de onde viemos e do projeto. Mas aquilo que eu, Fred, mais pessoas envolvidas, o Paulinho e o Luquet4 acreditamos muito é que temos aqui a possibilidade de criar uma grande máquina de entretenimento, de conteúdo, agregado ao competitivo dos esports ou da Kings League. E queremos criar um projeto muito grande no Brasil, na América do Sul e na América como um todo. É um sonho. Temos o potencial de fazermos isso juntos. Nosso sonho não é só o CS, é mais do que isso. Que o nosso lançamento tenha força. As pessoas aderiram, ganhamos mais seguidores em um dia do que em nove anos."
Mudança no repasse dos stickers adotada pela Valve
Duarte opinou sobre a mudança adotada pela Valve na forma como o valor arrecadado com a venda dos stickers é repassado às organizações.
"Não posso falar de valores e ainda nem estão fechados, mas posso dizer que o artigo da HLTV é nessa linha. O bolo mudou tanto que não são só as organizações menores, as organizações grandes, mesmo aumentando a porcentagem, com o bolo sendo tão menor, sofreram muito. Pode ser uma Spirit ou uma Falcons. De um dia para o outro, você podia ter combinado com os jogadores que pagavam 20% e passaram a ser obrigados a pagar 50%. Não se devem mudar regras a um mês do próximo Major. Não pode o Major começar na próxima semana e dizermos às organizações, a 10 dias, quais vão ser as regras.”
"Esta mudança que tivemos dos stickers foi a maior mudança que existiu nos últimos 10 ou 12 anos. E podemos dizer que não ocorreu bem para ninguém. Nem para os próprios jogadores ocorreu bem, porque, mais uma vez, ganham uma porcentagem maior, mas em um valor muito menor. Não somos imunes, nós, enquanto Dendele CS, não somos imunes, não estamos protegidos de tudo isso. Mas a verdade é que nós, herdando a história dos nove anos da Sharks, sabemos que a Sharks é um dos times mais antigos do cenário. Equipes que víamos há seis ou sete anos já não estão mais aí. Isso quer dizer que somos sólidos. Não estamos protegidos de tudo. Vão haver oportunidades. Mas o mercado vai estar mais difícil para todos. O mercado está mais difícil. Quando a maré está baixa, se vê quem é que vai nadar sem calções. Temos que ser sólidos, e há muitas oportunidades. O novo sistema não resultou. É passível de dizer que o novo sistema não resultou. Prejudicou todas as organizações e os jogadores. Mas não acreditamos que isso vai continuar assim e, portanto, vai ser corrigido. Mas é importante ver essa boa vontade de todas as partes, do organizador, do dono do jogo, dos times. Acho que as organizações deviam até falar mais. Falar mais uns com os outros para tentarem encontrar soluções. Neste momento, ainda está a decorrer essa questão da venda. E acho que ainda podia se fazer mais. Criar mais conteúdos, criar novas cápsulas, novos itens que fizessem melhorar o resultado deste Major. Houve dois Majors muito estranhos. Um para cima e um para baixo. O para cima foi o de Paris e o para baixo, para o nosso azar, foi o último."
Tannure complementou: "É um valor substancial. Sempre foi um valor substancial para as organizações. São dois Majors por ano, então muitas organizações conseguiam suprir a necessidade talvez até das equipes de esports como um todo chegando em dois Majors. Sempre temos atualizações do que vai acontecer em relação aos stickers muito próximo, então acaba que o mercado fica muito volátil. E aí, é mais um motivo para não entrarmos em outra modalidade de última hora, fazer tudo com muita calma e, obviamente, criar uma expectativa de que as coisas vão mudar para o Major de Singapura".
Objetivos no semestre e pressão da torcida
Duarte citou que uma das diferenças que essa nova fase poderá trazer é a pressão da torcida. O Dendele passará a receber o apoio de novos torcedores, assim como outras grandes organizações presentes no CS e na Kings League. O CEO falou sobre o tema e destacou os principais objetivos do Dendele para a segunda metade do ano.
"Seguramente trará mais pressão, por ter uma torcida, pelo bem ou pelo mal, vai trazer muito mais pressão. Os jogadores vão ter que se habituar a isso, mas nós tivemos um primeiro semestre muito bom. Nós, em janeiro e fevereiro, éramos uma das equipes do Brasil lá na América do Sul, das que ganhavam mais. Continuamos parecidos. Tivemos agora campeonatos muito fortes na Europa e nos saímos bem. Aliás, o nosso ranking, o ranking das Américas, diz isso. Em termos de planejamento, não vai mudar muito por essa parceria. Vai mudar, e tem mudado, pela atual situação do time.”
"Os objetivos são estar nestes grandes torneios, temos conseguido estar. Quando jogarmos no Brasil, sermos um candidato, qualificarmos e ficarmos nos primeiros lugares. Em torneios em que apareçam MIBR, 9z e Legacy. Em janeiro ganhamos um torneio contra todos esses times, mas já sabemos que o objetivo é ficarmos nos lugares da frente e, obviamente, ganhar, e, claro, sempre o sonho de chegar ao Major."
"Isso vai ser um teste grande da torcida do Dendele CS. Porque você joga no Brasil, na América do Sul, na América como um todo, e é candidata a ganhar a maioria dos jogos, claramente. E vai ganhar a maioria dos jogos. Você vai jogar torneios Tier-S, como o Dendele vai jogar neste mês, no próximo e também, já sabemos, provavelmente ali em setembro, e vamos ganhar muito menos do que ganharíamos se jogássemos no Brasil. Só que os jogos que ganharmos também valem muito mais do que os da América do Sul. O ranking ainda não está 100% refinado. Equipes que têm muitos pontos não aparecem para jogar determinados torneios porque você se arrisca muito."
Para Tannure, o grande objetivo é alcançar o Major de Singapura.
"A minha expectativa, sem dúvidas, é chegar no Major de Singapura. É mais um sonho meu. Espero que se torne realidade. O Luquet4 até chegou a mostrar uma simulação da arma já com a logo do Dendele, acho que foi um fã que fez, estava bom demais. No minuto em que chega o sticker e você contempla isso, você, como gestor ou dono de uma organização, isso é um negócio que é uma virada de chave, independente dos valores, né, que são propostos. É uma gratificação muito grande, uma coisa que eu nunca consegui poder fazer, por exemplo, na época que eu estava no Flamengo com o time de CS, mas é um sonho meu. Pegarmos um Major e pegarmos o sticker de Singapura."
União com a torcida
Para Duarte, o Dendele só existe por causa dos torcedores. O CEO falou da relação com a torcida e comentou que a união pode ser a peça que faltava para o projeto "ir mais longe".
"A Dendele, acho que como um todo, e a Dendele CS, só existem por existirem torcedores. E quanto mais fortes forem nossos torcedores, temos também que fazermos nosso trabalho, mas quanto mais forte for a torcida, mais forte será o Dendele CS e o Dendele como um todo. Mais forte será o Dendele. Só agradecer pelo apoio. Precisávamos mesmo desse apoio e espero que seja a peça que faltava para irmos mais longe."
Um preço acessível foi uma das preocupações do Dendele na criação da nova camiseta da organização. Buscando se aproximar dos torcedores, o CMO falou sobre o valor do produto lançado junto ao anúncio oficial da nova equipe de CS do Dendele.
"Uma coisa que eu tenho reparado bastante é que muitos times estão criando linhas de roupas, camisas com um preço que as pessoas têm criticado online. Acho que, se você entrar no nosso site, você vê que a nossa ideia foi criar uma camisa com um preço acessível. E ainda mais se você usar o nosso cupom."
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