Jogadores da THUNDER dOWNUNDER durante o primeiro dia de IEM Cologne Major

Jogador-caminhoneiro e IA levam THUNDER dOWNUNDER ao Major

Equipe australiana tem dois jogadores com trabalhos convencionais

A THUNDER dOWNUNDER estreou no IEM Cologne Major estragando alguns redondos e botando água no chope do MIBR, um dos favoritos do Stage 1. Única equipe sem organização no mundial, os australianos não são lá um time muito comum, passando pela escolha do nome e até a rotina dos jogadores.

"Não procurem (o nome) no Google. É show de strip masculino em Las Vegas. Não procure ou tenha certeza de que você coloque CS no final", disse Christopher "dexter" Nong em entrevista à Dust2 Brasil.

O nome não é a única coisa peculiar. Diferente de todos os outros 31 times presentes, a THUNDER dOWNUNDER não é composta - ao menos não totalmente - por jovens nerds dedicando uma dezena de horas ao jogo diariamente. O time tem, na verdade, trabalhadores comuns.

dexter é um dos dois jogadores com um trabalho em tempo integral. O jogador é embaixador das marcas Intel e HP.

"Quando eles me chamaram para ir para o time, avisei que o CS seria secundário para mim. Mesmo que eu tenha jogado por muitos anos, era secundário ao meu trabalho, a coisa mais estável na minha vida", disse.

"Em vários momentos eu imaginei que deveria colocar mais tempo e esforço. Minhas horas nos últimos seis meses estão tipo 20 ou 40 (nas duas últimas semanas), não como eu estava acostumado a jogar no passado. É ótimo", completou.

O outro é Tynan "TjP" Purtell - um dos destaques na vitória contra o MIBR com 1.70 de rating 3.0 -, que é motorista de caminhão nas horas "vagas".

"Ele dirige caminhões como trabalho. Ele dirige caminhões das 3 ou 4 da manhã até a uma da tarde. Depois, mesmo cansado, ele joga CS. O meu (trabalho) é das 9 (da manhã) às 5 (da tarde)", contou.

Uma mãozinha da IA

Classificada pelo Valve Regional Standings (VRS) da Ásia, o menos concorrido, a THUNDER dOWNUNDER "só" precisou dominar o cenário da Oceania para conquistar sua vaga. Mesmo sem salário e sem se dedicar integralmente, dexter sabe que era possível.

"Sabíamos que tinha uma boa chance (de nos classificarmos). Todos estavam perguntando como seria a matemática nos últimos campeonatos, então sabíamos que havia uma boa chance com as LAN wins", disse.

Aí que entrou a ajuda da Inteligência Artificial.

"Fizemos todos os cálculos, colocando na IA, tínhamos todo um sistema rodando para fazer a matemática. Acabou sendo, precisamente, como pensamos", contou.

dexter, da THUNDER dOWNUNDER, durante o IEM Cologne Major

E, além dos computadores, dexter também acreditava que o tempo de carreira dele e dos ex-companheiros de FlyQuest seria o suficiente para conseguir uma vaga explorando só a Oceania.

"Temos muita experiência e tentamos usar essa experiência o melhor que podemos. Sem atacar os outros caras, mas eles não têm os mesmos 10 anos de experiência internacional, então usamos isso e fizemos 75% ou 80% do que podemos fazer para ganhar na Austrália", afirmou.

Não é pelo dinheiro

A primeira coisa que chama a atenção quando um time sem organização chega ao mundial é, claro, o dinheiro - que vai integralmente para o bolso dos jogadores, já que não há um clube para dividir. A Valve, porém, decidiu mudar a forma de distribuição - o que a maioria esmagadora dos jogadores acredita diminuir o valor a ser recebido no final.

"A reação foi um pouco triste, porque vai ser um pouco, ou muito, menos dinheiro, mas é o que é. Não podemos controlar, então não deixamos isso atrapalhar", disse dexter.

Mas não foi só pelo dinheiro que a THUNDER dOWNUNDER chegou ao mundial.

"Espero que (chegar) ao Major ajude com o salário, mas além disso, estávamos fazendo pela diversão. Eu, aliStair e liazz tínhamos muito a provar depois da FlyQuest e queríamos mostrar o nosso melhor. Ainda iríamos jogar, mas não sabíamos o que aconteceria, então queríamos colocar um último esforço e mostrar o que podemos fazer antes de ficarmos mais velhos, ter filhos e essas coisas", explicou.

Futuro incerto

E, com o foco no Major - e no "CLT" -, o time ainda não pensou no futuro.

"A melhor rota seria criar uma organização para nós mesmos, ter patrocinadores e nós controlarmos tudo. Nós fomos na rota da Grayhound antes e funcionou muito bem", contou dexter.

"Mas, se tivermos uma oportunidade com patrocinadores, nós adoraríamos fazer isso em vez de ir para uma organização. Mas, se algo acontecer, as pessoas te tratarem bem, ter chefes bons, por que não?", finalizou.

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