GaBi, do MIBR, no HLTV Awards

GaBi sobre cenário feminino: "Estamos com esperanças que as coisas possam se resolver"

Jogadora falou sobre temporada do MIBR e futuro do competitivo

Com o fim da ESL Impact League, o cenário feminino entra em 2026 em clima de incerteza. Já acostumada com as dificuldades das mulheres no Counter-Strike, Gabriela "GaBi" Maldonado acredita que ainda há uma luz no fim do túnel pelas mãos da Federação de Esportes Eletrônicos do Rio de Janeiro (FERJEE).

"A saída da ESL Impact é uma perda enorme para o cenário feminino porque era o campeonato que dava uma estabilidade querendo ou não para os times. É triste a saída, porém nós temos um pouco de esperança por conta da FERJEE", afirmou GaBi em entrevista à Dust2 Brasil durante o HLTV Awards.

"Eles falaram que vão fazer um campeonato feminino mundial no Rio de Janeiro, então nós estamos com esperanças de que as coisas possam se resolver e não ficarem tão ruins", completou.

Mas não é só da FERJEE que a jogadora espera por mais iniciativas para as mulheres.

"A nossa esperança é essa, talvez as organizadoras darem uma olhada para o cenário feminino. GC, FACEIT, porque antes tinham alguns campeonatos e hoje em dia não tem nada. Não custa nada fazer um campeonato lá, uma vez por mês, ou a cada três meses. A nossa esperança é a FERJEE, acho que eles vão fazer um trabalho legal e vai dar certo", disse.

Confira a entrevista na íntegra:

Foi um ano diferente no cenário feminino, sem nenhum time dominando. Como vocês receberam a indicação de time do ano?

Quando nós recebemos a notícia ficamos muito felizes porque não esperávamos. Nós viemos de vitória no Brasil em cima da FURIA duas vezes e infelizmente o mundial acabou escapando por detalhe. Acho que nós demos uma vacilada, mas quando recebemos a notícia pulamos de alegria. Todo mundo ficou muito feliz porque nunca havíamos recebido, então foi muito especial.

Entre vocês e FURIA, dá para falar quem foi o melhor time do Brasil esse ano?

É complicado, porque as meninas da FURIA venceram o mundial e logo após a entrada da Olga nós conseguimos vencer duas vezes em cima delas. É difícil falar qual é o melhor time, mas acredito, por conta dos últimos resultados, que o meu time é o melhor. Por mais que elas tenham ganhado o mundial, que é um título muito importante, eu acho que nós poderíamos ter ganhado também, mas demos uma ‘entregadinha’ no final. Acho que o nosso time está muito bem encaixado.

Como a Olga ajudou o time?

Sem dúvidas nenhuma a Olga é muito boa de mira, mas acho que o diferencial é o pensamento. Ela tem uma cabeça muito aberta, então ela como IGL fica muito fácil de jogar. Ela dá liberdade para todo mundo fazer o que quer e, além dela, também entraram o land1n e o naxx. Tem uma comissão muito forte por trás, então acho que o conjunto deu muito certo.

Depois da chegada da Olga, todas as cinco jogadoras tiveram momentos de destaque. Por que isso aconteceu?

O nosso time individualmente é muito forte, então se uma pessoa está mal, nós podemos ficar tranquilas que alguém vai recompensar. Essa é a vantagem do nosso time. Com a entrada da Olga com certeza nós tivemos essa confiança a mais porque ela dá essa liberdade, então todo mundo é muito livre para fazer o que quer, sem abusar muito também. Com certeza a entrada da Olga foi muito importante e nosso time é muito bom individualmente. Todo mundo joga muito pug, todo mundo no mesmo objetivo e eu acho que isso é o segredo.

Por que o MIBR se deu tão bem nas LANs do Brasil esse ano?

Acho que nós nos destacamos pela nossa confiança. Antes da entrada da Olga, nós estávamos com um pouco de baixa confiança, os resultados não estavam tão legais. Com a entrada da Olga, ela trouxe outra energia para o time. Todo mundo tirou uma confiança de onde não tinha e nós começamos a deslanchar. Os nossos treinos também fazem bastante diferença. Os times que treinamos contra, os campeonatos mistos dão uma confiança também, quando nós estamos mandando bem nos treinos… Acho que é um conjunto de tudo.

Como foi ver o título do mundial escapar na final?

É triste. Eu acho que nós tínhamos muita chance de vencer, nós estávamos com muita vontade de vencer e tivemos essa oportunidade. Nós tivemos uma campanha consistente, mas na final, infelizmente, acho que ficamos um pouco nervosas. Na semifinal acabei não jogando tão bem, estava um pouco em Nárnia. Acho que, individualmente, na final consegui mandar bem, mas infelizmente o jogo é coletivo e o título não veio.

Qual sua opinião sobre o fim da Impact e o futuro do cenário feminino?

A saída da ESL Impact é uma perda enorme para o cenário feminino porque era o campeonato que dava uma estabilidade querendo ou não para os times. É triste a saída, porém nós temos um pouco de esperança por conta da FERJEE. Eles falaram que vão fazer um campeonato feminino mundial no Rio de Janeiro, então nós estamos com esperanças que as coisas possam se resolver e não ficarem tão ruins.

A nossa esperança é essa, talvez as organizadoras darem uma olhada para o cenário feminino. GC, FACEIT, porque antes tinham alguns campeonatos e hoje em dia não tem nada. Não custa nada fazer um campeonato lá, uma vez por mês, ou a cada três meses. A nossa esperança é a FERJEE, acho que eles vão fazer um trabalho legal e vai dar certo.

Está uma tensão muito grande no ar entre as jogadoras?

Com certeza deixa o cenário tenso porque é difícil ter uma expectativa. Não temos calendário, não temos nada, então é complicado, mas acho que não podemos desistir nesse momento difícil. Antigamente já foi muito difícil e conseguimos alavancar o cenário, então temos que continuar insistindo e confiar que vai dar certo.

E no que você se agarra para acreditar que a situação vai melhorar?

Principalmente a FERJEE. Nós estávamos sem esperança depois que acabou o mundial, mas a FERJEE apareceu, deu essa esperança para a gente, parece que vai rolar realmente esse campeonato mundial no Rio de Janeiro. É ficar em cima, continuar aparecendo, fazer nosso conteúdo e torcer para melhorar.

Como você entra nesse ano de 2026?

Esse ano de 2026, por mais que estejam complicadas as coisas, estamos animadas porque a Olga entrou no time faz seis meses, então temos muito ainda para ajustar, corrigir e melhorar. Com o tempo, com certeza, o nosso time vai ser muito melhor do que ele já é. Acho que nosso time vai ser bem melhor do que foi ano passado. Vamos jogar mais campeonatos, esse mundial que talvez vá rolar da FERJEE, então estamos bem confiantes e felizes. Com certeza nosso elenco vai ficar ainda mais forte.

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