
LyttleZ: "É realmente difícil manter a motivação com a falta de campeonato"
Mariana "LyttleZ" Sabia falou das dificuldades que o cenário feminino enfrenta e como a Atrix lida todas as adversidades com a força da união entre o elenco em entrevista à Dust2 Brasil. A jogadora também avaliou o desempenho da equipe na semifinal do Rainhas do Clutch e comentou sobre a sua performance no torneio.
A primeira semifinal do mundial feminino acabou escapando da Atrix. O time de LyttleZ largou na frente na série, mas a Shimmer conseguiu buscar a virada na MD3. Para a jogadora, o confronto deveria ter acabado na Dust2.
"Fico muito triste de ter perdido porque achei muito que íamos ganhar. Estávamos muito confiantes no nosso jogo, nos nossos mapas. Acho que conseguimos começar bem na Ancient. Na Dust2 demos uns tropeços e tiveram muitos rounds no detalhe, round de clutch, uma pessoa viva, duas pessoas vivas. Rolou muito isso, acabamos perdendo muitos rounds assim, mas para mim, o jogo era para ter sido encerrado na Dust2."
"Alguns rounds que estávamos com vantagem que acabamos perdendo, erros bobos que, para mim, fizeram com que perdêssemos. O terceiro mapa não era nem para ter acontecido. Já estava mais difícil, acho que a galera acabou dando uma desanimada porque todo mundo achou muito que ia fechar na Dust2. Ficou aquela expectativa, aquela tristeza."
Apesar da derrota, ainda há a possibilidade da Atrix se firmar no pódio do Rainhas do Clutch. Na próxima sexta-feira, a equipe enfrentará o perdedor da disputa entre MIBR e Clutchain fe na decisão pelo terceiro lugar. LyttleZ falou sobre o que ficou de aprendizado para que o time obtenha um resultado melhor na série.
"Acho que confiar mais em nós mesmas, tentar não deixar nossa energia baixar e prestar mais atenção nos detalhes. Foram muitos rounds nos detalhes, coisas bobas que não podíamos ter errado. Num geral, estamos bem preparadas, taticamente, individualmente, acho que foram realmente detalhes."
O Rainhas do Clutch é o único grande torneio voltado ao cenário feminino confirmado no calendário nesta temporada. Sem mais campeonatos e com diversas organizações deixando a cena, o momento é complicado para quem se dedica e sonha em crescer no competitivo. Com anos de experiência, LyttleZ falou sobre como a Atrix trabalha para deixar a chama acesa sem perder a motivação com tantas adversidades.
"A atual situação do cenário está bem complicada. A FERJEE foi o único campeonato que tivemos confirmados neste ano, então às vezes, sinto que é difícil tentar manter a nossa motivação sem campeonato para jogar. Parece que você treina, treina, treina e você se pergunta 'para que que você está treinando?',não tem campeonato para jogar. Fica naquilo, sabe? Mas acho que, num geral, todo mundo do time se ajudou, tentou se botar para cima e, principalmente, quando saiu o campeonato da FERJEE, acho que começamos a dar nosso máximo. Falamos 'mano, é agora, vamos grindar, bora todo mundo junto'."
"Muitas organizações saíram, deixaram de investir, campeonatos pararam, igual a ESL Impact, então acabou ficando muito difícil. Você vê muitos times se desmanchando porque não tem condição de se manter. Infelizmente, estamos num momento de baixa do cenário feminino. Falando de nós, da Atrix, organização, somos uma organização independente, então estamos muito juntos, todo mundo, com todas as decisões do time. Como somos nós que fazemos, literalmente, acho que não poderia ser diferente. Para mim é muito bom, conseguimos conversar abertamente sobre os nossos objetivos, o que nós queremos, e dar a nossa vida para conseguir isso. Mesmo sem apoio, tentamos várias vezes conseguir patrocínio, infelizmente não deu certo, mas seguimos para tentar continuar buscando o nosso."
A campanha até a etapa final do Rainhas do Clutch foi um desafio concluído para a Atrix. Após sofrer a derrota contra a FURIA na MD1, a equipe se reergueu na lower e conseguiu buscar a revanche contra as oponentes posteriormente na MD3 decisiva. A vaga conquistada sobre um rival tão forte foi fruto do preparo e da confiança, segundo LyttleZ.
"Estávamos muito preparadas, mas acredito que no primeiro dia, como foi MD1, a galera ainda estava um pouco nervosa, sinto que foi necessário perder aquele para virmos cacetando na lower. Acho que estava todo mundo meio nervoso e, depois, quando passou o nervosismo, a galera começou a jogar."
"Estávamos muito confiantes, estávamos muito bem preparadas, sabíamos como a FURIA jogava, estávamos dentro do jogo, estávamos muito bem, eu sentia o time extremamente confiante. Acho que é muito difícil falar que estávamos confiantes dessa forma porque a FURIA é um time excelente, as meninas ganharam mundial, fizeram história, só que estávamos tão bem preparadas que nos ajudou a pensar que independente de qual fosse o outro time, iríamos ganhar e pronto."
Individualmente, LyttleZ se destaca há tempos como uma das principais awpers do cenário feminino. Com 60 eliminações e 1.55 de rating na semifinal do mundial, a jogadora foi impactante nos mapas convertidos pela Atrix dentro do servidor. Aos 21 anos, a atleta falou sobre como trabalha para manter a motivação e como a confiança de suas companheiras a ajuda a fazer bons jogos com o time.
"Falando por mim, é realmente difícil manter a motivação com a falta de campeonato, essas coisas. Sinto que em alguns momentos, até duvidei, pensei se iria continuar, se não iria, pela falta de campeonato. Mas eu gosto muito de jogar CS, gosto muito das meninas do time que estou agora porque sinto que elas me dão muito espaço para eu poder brilhar, para poder fazer meu jogo. Sinto que todo mundo consegue confiar muito em mim e isso me facilita muito na hora de jogar."
"Então, assim, não tem nada que eu fale que eu quero fazer que as meninas falam 'mano, não vai'. Todo mundo confia em mim e me dá essa abertura para poder jogar. Estou muito feliz, fico feliz, apesar da derrota, de ter conseguido performar bem porque vim treinando muito esses tempos e realmente me dedicando muito para poder trazer o melhor do globo."




























