Palco do Circuit X Pantanal

Circuit X expande CS pelo Brasil, mas gera debate sobre custos e logística

Cidades fora da rota usual receberam campeonatos nos últimos meses, com fãs tendo oportunidades de vivenciarem os torneios

O Circuit X começou a realizar campeonatos de Counter-Strike em outubro do ano passado e, em cerca de oito meses, levou eventos para regiões como Curitiba, Cuiabá e Recife, sem se limitar somente ao Rio de Janeiro e São Paulo. Os fãs de CS dessas cidades tiveram a oportunidade de prestigiarem os times sul-americanos, algo que não é comum, já que os locais estão fora da rota das organizadoras.

A ida para estas cidades, no entanto, pode representar um custo mais alto de logística para as equipes que decidirem participar desses torneios - que podem ser cruciais para os times visando melhores posições no VRS em busca de convites para outros campeonatos.

Com estes prós e contras, a Dust2 Brasil procurou as organizações e o Circuit X para entender a visão das partes relevantes, que vivem essas competições, e qual pode ser o balanço perfeito para levar o CS para todo Brasil, mas sem afetar as finanças dos clubes.

O Fluxo, presente em todas as seis edições de Circuit X - duas em Curitiba, duas em São Paulo, uma em Cuiabá e uma em Recife - valoriza os eventos fora do eixo e fala em uma necessidade de planejamento maior por parte das organizações, conforme explicou o manager Gabriel Kohn.

"É muito interessante essa ideologia do campeonato acontecer em cada região do Brasil, difundindo e levando o CS para perto da comunidade, dando a chance de estarem em contato com jogadores, algo que o Circuit X sempre permite. O deslocamento acaba sendo mais oneroso, porém toda organização precisa ter o seu planejamento e o seu budget de viagens separados."

"Se você não tem isso muito bem estruturado, você acaba sofrendo com essas viagens. Então, é muito mais culpa das organizações do que das organizadoras dos campeonatos. Eles não têm culpa alguma. Se você tem um problema com isso, é porque está se planejamento mal, ainda mais porque tudo é anunciado por cerca de um mês e meio a dois meses de antecedência, então já consegue se antecipar e pegar valores bons em passagem e hospedagem", seguiu Kohn.

A GameHunters segue na mesma linha que o Fluxo. O time, que jogou em Cuiabá, Curitiba, São Paulo e Recife, atesta que a viagem se torna mais cara, porém diz valer a pena.

"A passagem encarece a viagem, embora os outros custos como hotel, alimentação e van saiam praticamente no mesmo preço. Porém, o pró é gigantesco para o futuro do cenário, pois isso espalha a cultura do CS. Tem torcedor no Brasil inteiro que também sonhou em ver os campeonatos de perto. Levar os times para essa galera fura a bolha, faz com que a comunidade cresça e é isso que vai atrair mais investimentos lá na frente", disse Invicible, analista da GH.

Um olhar sobre o futuro também se faz presente na fala de Soraya Vasconcelos, gestora da Galorys, que aponta a importância de cativar os fãs em todo o país. Porém, a manager aponta que os clubes encontram dificuldades para encontrarem LAN houses em alguns locais.

"O jogador é ansioso, em alguns lugares querem ficar treinando, então você precisa olhar um espaço para isso. É difícil encontrar locais que disponibilizem PCs além do local de evento nessas cidades fora do eixo, ou uma LAN house para os jogadores treinarem."

"Muitas vezes, os campeonatos presenciais, que dão mais pontos, acontecem juntos de torneios online. Acho que as organizadoras precisam conversar para criarem uma agenda que seja fácil para todo mundo participar, sem que eles trombem um com outro, porque às vezes estamos em locais que não têm computadores além dos PCs do campeonato, que estão sendo usados e não são disponibilizados. Então, além do custo da viagem, vai ter o custo de alugar o PC. É muito interessante diversificar o cenário e ir além de Rio e São Paulo, mas deveria ser mais bem conversado entre as organizadoras", concluiu.

Futuro equilibrado e regionalizado

Responsável pela realização dos campeonatos, Carlos Passow, dono do Circuit X, conversou com a reportagem e falou que os torneios fazem parte do verdadeiro objetivo da organizadora, que é "fortalecer a união entre jogadores, organizações e toda a comunidade".

"Realizar eventos em diferentes estados gera custos elevados, tanto para as organizações quanto para nós. Ainda assim, poder levar competições presenciais para diversas regiões do país e aproximar a comunidade é algo que fazemos porque acreditamos no crescimento do cenário e temos enorme satisfação em contribuir para isso".

Passow cita que o Circuit X já ouviu comentários de organizações por conta da realização de campeonatos em outros estados, mas que não viu como reclamação: "Sempre vai existir alguém procurando algo para reclamar".

No entanto, a organizadora tem um plano para facilitar a vida dos times, e a mudança no pagamento dos stickers também se tornou um motivo de preocupação para o Circuit X.

"Nosso principal objetivo é desenvolver uma estrutura própria, permitindo que as equipes tenham mais previsibilidade. Queremos disponibilizar um calendário antecipado de competições para que os times possam planejar viagens, custos, treinamentos e investimentos com muito mais eficiência. Além disso, com as mudanças no sistema de classificação para Majors, stickers e distribuição de premiações, acreditamos que muitas organizações precisarão reestruturar suas operações e reduzir custos. Essa mudança poderá impactar diretamente a sustentabilidade do cenário, especialmente em relação aos salários dos jogadores."

"Uma alternativa interessante seria a criação de um sistema semelhante ao 'salary cap', utilizado em ligas como a NHL e a NBA, com um limite de gastos por equipe. Um modelo adaptado ao esports poderia tornar o cenário mais equilibrado financeiramente, incentivar a competitividade e ajudar organizações de diferentes portes a permanecerem sustentáveis a longo prazo. No segundo semestre, nosso ritmo será mais concentrado e regionalizado. Assim, teremos dois modelos de operação ao longo do ano, o que nos permitirá distribuir melhor os eventos e manter um calendário mais equilibrado. Isso também facilitará o planejamento das equipes, reduzirá custos e nos dará uma base mais sólida para os próximos anos", concluiu Passow.

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