
Olga: "Acabei de conquistar o que eu mais queria, em dobro"
O MIBR derrotou a Shimmer por 3 a 1 no Rainhas do Clutch e se consagrou campeão do torneio realizado no Rio de Janeiro no último domingo. Olga "Olga" Rodrigues falou sobre a vitória na grande final e toda a trajetória da equipe desde a última temporada até o alcance do troféu mundial em entrevista à Dust2 Brasil. Além do bicampeonato, a capitã também garantiu sua primeira medalha de MVP no torneio. A jogadora comentou da responsabilidade de guiar um time e, ainda assim, trazer tanto impacto dentro do servidor.
Depois de algumas batidas na trave no circuito da ESL Impact, Olga finalmente conquistou seu tão sonhado título mundial. Desta vez, segundo a jogadora, a conquista teve um sabor ainda mais especial graças ao destaque individual. A capitã da equipe falou sobre a sensação de alívio e brincou com o "fantasma da final" indo embora.
"Sentimento muito incrível de alívio, né? De finalmente. Bati tantas vezes na trave, de competir em mundiais, mas também, de chegar na final e perder, então, hoje, depois daquela Nuke, saiu o fantasma da final, porque perdíamos muito na Nuke, era um mapa muito difícil trabalhar o TR e nós fizemos isso com perfeição, conseguimos voltar, mesmo sob uma pressão intensa. Depois, a pressão passou para o lado delas. O sentimento geral é que conseguimos executar o que viemos trabalhando. Jogar sob pressão e conquistar o que viemos fazer, já tenho tentado há um tempo, então é esse alívio com felicidade, com alegria."
O MIBR alcançou o terceiro título consecutivo em território nacional com o troféu do Rainhas do Clutch. Além de coordenar a equipe com maestria, Olga também agrega com um dos maiores impactos do cenário mundial. A jogadora, eleita MVP do torneio, falou sobre como trabalha para executar o papel de IGL e, ainda assim, colocar bons números dentro do servidor.
"Quando o jogo está muito sob pressão, ainda sinto essa responsabilidade, não de resolver sozinha, mas de 'galera, vou buscar a responsa aqui'. Por exemplo, na Nuke, nós sabíamos que elas tinham um jogo blocado, era bloco fora, bloco miolo. 'Eu vou bater, se eu ver que é bloco fora, vocês sabem o que fazer, mesmo se for um 4x5'. Então ao mesmo tempo que eu estou puxando a responsa, eu estou jogando para o lado delas: 'Se der merda aqui, vocês sabem o que precisam fazer e eu confio em vocês, então confiem mim', porque somos um time. E deu muito certo. Eu fiz a mesma play acho que cinco, seis vezes, toda hora pegava uma kill, pegava info que era uma menina montanha, mais uma querendo tradar, a outra smokando. 'Gente, é só uma miolo'. Então já sabia o que fazer e resolvia o round ali."
Mais uma vez, o MIBR mostrou a resiliência na série. A equipe começou perdendo o primeiro mapa contra as norte-americanas na grande final, mas conseguiu buscar o empate numa Nuke que teve três prorrogações. Na semifinal contra a Clutchain, o elenco também buscou, de virada, uma Ancient que estava 10-2 para as rivais. Olga falou sobre o mental da equipe para conseguir virar placares assim.
"Temos esse começo, talvez em mapas ou até mesmo em estreias de campeonatos. O nervosismo pega um pouco. Rola pinadeira, estão nervosas. Não conseguimos encaixar o que fazemos em treino e parece que ficamos meio sem saída. Temos que fazer o que treinamos, mas não está dando certo, mas nunca desistimos. Sempre somos resilientes, sempre acreditamos quando vira o half, falamos 'gente, é possível'. Contra a Clutchain, na Ancient, a yungher falou 'Se a BIG conseguiu, nós conseguimos', e eu fui e reforcei 'Nosso CT é muito forte, vamos para cima'."
"Agora na Nuke, contra a Shimmer, eu falei 'Temos que fazer o TR das nossas vidas'. Porque temos o costume de fazer um CT bom na Nuke, já ganhamos uma Nuke contra elas, com um CT bom e um TR bom também, então sabia que era possível, mas com a pressão, fica mais complicado. Mas temos trabalhado com a psicóloga, a Nath vem nos ajudando, então conseguimos manter o pé no chão. Sabemos que é um jogo de confiança, se começarmos a construir essa confiança dentro do jogo, elas, automaticamente, vão perder a confiança porque vamos estar fazendo o nosso jogo. Nosso jogo forte, não tem para ninguém, é isso que vocês viram mesmo."
Antes de migrar para o cenário asiático, Olga dominou durante anos a cena brasileira com a FURIA. Desde sua volta para o Brasil, na última temporada, a capitã veio construindo o caminho para recuperar o topo do país novamente, dessa vez com o MIBR. A jogadora falou da trajetória do time na região e, também, do nível apresentado contra equipes internacionais desde a última ESL Impact.
"É muito bom voltar para o cenário já dominando. Só viemos pegando pedrada, campeonato atrás de campeonato. Na própria ESL Impact, que não conseguimos ganhar, jogamos contra o core da Clutchain, que era a Imperial. Fomos para a final com um time muito forte também, a vicu, né? Que já estava batendo na trave também. Aí chega aqui no Brasil, tem a FURIA que já foi campeã mundial, a Atrix que só vem evoluindo cada vez mais, então, assim, não tem mais bobo no cenário. Conseguir performar desse jeito, contra oponentes tão fortes, mostra que o nosso trabalho está bem consistente. Não é 'um jogo ali foi sorte, pegou elas num dia ruim'. Não. Nós que estamos bem mesmo e o nosso dia ruim ainda dá trabalho para elas. Quando nos pegam bem, não tem para ninguém mesmo, é isso."
Nadjila "poppins" Sanchez falou sobre a união entre as jogadoras do MIBR. Além de destacar a relação da equipe, a jogadora também elogiou o trabalho feito por Olga ao lado da comissão técnica do time. A IGL destacou os principais pontos desse trabalho que permitiram ao time alcançar a consistência demonstrada nas últimas competições.
"Trabalhamos com muito protocolos, então temos o plano A, o plano B, temos ideias de quando estamos em vantagem, o que vamos fazer, temos ideias de quando estamos em desvantagem, o que vamos fazer, temos palavras chaves para simplificar o que é para ser feito para converter o round, ou buscar uma desvantagem. Então acho que ter isso me ajuda também, como capitã, não preciso ficar micro gerenciando todo mundo. Às vezes precisa, quando é algo mais improvisado, mas o time sabe lidar, nós também, quando conseguimos manter a calma, paramos, respiramos, conversamos, é um jogo muito bonito de se ver."
"Dá orgulho, é um trabalho em equipe. Não é só meu e da comissão técnica, são todas que lembram desses protocolos, lembram da conversa, lembram das reviews, de quando erramos, de situações que não eram para termos perdido, perdemos e trazemos para novas situações semelhantes, mas com o acerto. É um trabalho em equipe, com certeza, nos espelhamos em times do Tier-1, Tier-2, times que são campeões e que são referência para nós, mas não tem um copia e cola. Temos o nosso perfil que é isso que vocês estão vendo mesmo."
Sem dúvidas, Olga conquistou seu maior sonho dentro do competitivo na última noite. Com um troféu mundial e sua primeira medalha de MVP garantidos, a capitã do MIBR falou sobre os próximos objetivos a serem conquistados dentro do cenário.
"Acabei de conquistar o que eu mais queria, que é ser campeã mundial. Já veio em dobro, com o MVP, que também faz parte de um sonho, todo mundo quer ser MVP. Mas para mim, o mais importante são os títulos. Quero continuar brigando por títulos, competindo. Nunca nos limitamos ao cenário feminino, então ainda estamos aqui na busca de subir para uma Série A, jogar CCTs, outros campeonatos abertos que possamos jogar para não dar conflito com outros times da organização."
Se acomodar com o título? Jamais. Olga não quer apenas seguir dominando o feminino por um bom tempo, mas sim levar o MIBR para um patamar superior no cenário misto. Com um troféu de peso nas costas, a confiança adquirida poderá ajudar ainda mais a equipe, segundo a capitã.
"Sempre evoluir, não estamos assim: 'Ganhamos o mundial, pronto, conquistamos tudo, não precisamos mais treinar, não precisa mais se dedicar, não precisa evoluir'. Não. Sabemos que temos coisas para melhorar, mesmo sendo campeãs mundiais, sabemos que no cenário misto, o nosso nível não está perto de onde queremos chegar, então é isso. Sendo campeã agora, dá uma confiança a mais, para que consigamos ter resultados melhores dentro desses outros campeonatos e é isso que nós vamos buscar."
Leia também




























